quinta-feira, 18 de março de 2021

BRECHA


Vontade 

da paz de adormecer

com sua cabeça

em minha coxa.

Uma mão deitada

no ventre,

a outra buscando

o seio esquerdo 

como quem quer chegar

no coração.

Vontade da paz espalhada 

em minha pele

como uma brecha 

luzindo 

o tempo sem futuro.



(Maíra, 18.03.2021)

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

MULHER POLIFÔNICA


Mulher polifônica, 

entre o seio e a ponte,

luzindo amanhecida 

o labirinto das árvores. 


Cabaça de parir grandes pássaros.

Eu moraria no alvoroço das cantigas 

que saem de seus dentes.


Mulher polifônica, assobio do vento, 

sussurro, agouro, benção,

melodia entre o escuro e a fonte.



(Maíra G., 16.12.2020)





terça-feira, 8 de dezembro de 2020

MULHER CÓSMICA


mulher cósmica,

desdobra cíclica

a natureza.


corpo de caber contrários.

efeitos quebradiços de arar 

terras, peles e poentes.


mulher cósmica,

deslizante e líquida,

da estrada, o caminhar.



(Maíra, 08.12.2020)










quarta-feira, 21 de outubro de 2020

PRINCÍPIO

durmo ao anoitecer pra lua me passear 
profunda

acordo ao amanhecer pro sol me encontrar 
pelos olhos



MULHER CRIAÇÃO

Há uma terra em que quando uma mulher menstrua
ela estende um tecido vermelho na janela.

Na sua porta as pessoas deixam presentes e pedidos 
para que na Lua Nova ela os coloque em suas preces.

A mulher lê tudo o que lhe dão.
Cada fruta, cada pão,
cada fogo e solidão...

A  mulher lê tudo o que lhe dão. 









sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FAMIGERADA

Mulher de corpo faminto,
olho lâmina
língua caule
pescoço alongado de caber grandes joias.

Seios espaçosos como o céu,
pele de lâmpadas acesas,
vulto de si quando outra.

Mulher de corpo faminto,
pés de terra argilosa
cabeça nascedouro de fontes
espinha forte como as samambaias da floresta.

domingo, 21 de junho de 2020

Quando Amor me chamou "Deusa"



Quando Amor me chamou "Deusa", 
abri os olhos com espanto e agradeci pedindo que não o fizesse. 

Ele sorriu e começou a chamar-me Deusa em outras línguas, e tantas! 

Falava alto todas as sílabas para que meu Espírito reconhecesse me tirando do desperdício. 

Depois, me banhou olhos e ouvidos 
e me aproximei divina, coroada. 



(Maíra Guedes, junho/2020)