Tenho o mar atravessado em minhas costas e uma bola de fogo na cabeça. O mesmo fogo de que é feito o chão da terra. Minha língua é de barro vermelho e molhado. Nascida em dezembro, sou eu meu cavalo.
domingo, 31 de março de 2019
sábado, 23 de março de 2019
dicionário 3
término
dever
devir.
dever
devir.
entendi despir.
ela: despedir.
...
negação
memória não é carcaça
mergulho não é naufrágio
destruir amor
...
negação
memória não é carcaça
mergulho não é naufrágio
destruir amor
não é arte de poeta
...
desejo
pólvora molhada
secando ao sol
mas é nublado
o dia
...
desejo
pólvora molhada
secando ao sol
mas é nublado
o dia
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019
água 1
mania de água
viver
de coração
em coração
é preciso
um quase-infarto
pra fazer caminho de dentro
pelo sangue
longe-perto
pele-linha
tempo-peito
por favor
algum silêncio
sem ar rarefeito
pro corpo
remendado
cuidar a sós
do perigo de abrir-se
livre
de pedras, ânsias
refluxos anti-versos e mormaços por favor algum silêncio pro coração despencar pelas veias poros,
flechas e fazer do próprio corpo
festa sem remendar o tempo
(Maíra Guedes)
refluxos anti-versos e mormaços por favor algum silêncio pro coração despencar pelas veias poros,
flechas e fazer do próprio corpo
festa sem remendar o tempo
(Maíra Guedes)
2016
quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
LUA EM PEIXES
corre auroras de rio,
hábito de água
do meu corpo imenso
@mairateatro
e púrpura,
afluente de desejos,
canoeira em aflição afluente de desejos,
de afogamento.
@mairateatro
sábado, 15 de setembro de 2018
I - Nascer
Meu corpo, fábrica de vento,
sob a luz de Tempo
foi parido na beleza preta das mãosde minha Mãe. Na imensidão da memória, navalha recosturando o fio comido
pela dominação. Das mãos de minha mãe escorrego para a cura ancestral, resguardo. Ato de guardar-se dentro, proteção do nascimento, silêncio de Orixá morando em mim ORIpotência a beleza preta das mãos de minha mãe Darabi.
Para Mãe Darabi (Alba Cristina Soares),
de sua filha Oyá Inuféfé (Maíra Guedes) outono de 2018.
ilustração: "Ori", de André Hora.
sábado, 17 de março de 2018
diário de uma agitadora
Virá!
Do céu de nossa boca,
palavra popular em viração.
Acirra-se, é tempo...
Em cada brasa virar vento,
dos corações fazer fogueiras.
E tomar
(Maíra, 17.03.2016/2021)
Do céu de nossa boca,
palavra popular em viração.
Acirra-se, é tempo...
Em cada brasa virar vento,
dos corações fazer fogueiras.
E tomar
em luta viva, brasileira,
o Estado, terras, e mansões.
(Maíra, 17.03.2016/2021)
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