sexta-feira, 11 de setembro de 2020

FAMIGERADA

Mulher de corpo faminto,
olho lâmina
língua caule
pescoço alongado de caber grandes joias.

Seios espaçosos como o céu,
pele de lâmpadas acesas,
vulto de si quando outra.

Mulher de corpo faminto,
pés de terra argilosa
cabeça nascedouro de fontes
espinha forte como as samambaias da floresta.

domingo, 21 de junho de 2020

Quando Amor me chamou "Deusa"



Quando Amor me chamou "Deusa", 
abri os olhos com espanto e agradeci pedindo que não o fizesse. 

Ele sorriu e começou a chamar-me Deusa em outras línguas, e tantas! 

Falava alto todas as sílabas para que meu Espírito reconhecesse me tirando do desperdício. 

Depois, me banhou olhos e ouvidos 
e me aproximei divina, coroada. 



(Maíra Guedes, junho/2020)

quarta-feira, 13 de maio de 2020

eu quero o amor revolucionário


Vento de nascer fogueiras
água de encontrar sementes,
eu quero o amor sem medo das armas que carrego,
capaz de levantar casas
fundar cidades
derrubar presidentes.

Desbravador do corpo
luz de liberdade
aprendiz de solidão.
Que se revoluciona ele mesmo - o amor - 
na estabilidade da transformação que cuida dos eixos
da respiração 
do próximo passo.

Amor quilombo,
negação da mercadoria
gozo-alquimia 
de princípios e propósitos
prontidão da memória
sem vergonha de existir.


(Maíra Guedes)

 

segunda-feira, 20 de abril de 2020

interdição

O amor quer me ver e não pode.
Quer dormir do meu lado,
lamber meu pescoço,
massagear meu corpo desde os pés
com as mãos bem abertas
dançar espirais
entre as coxas e costas
alcançar meus umbrais,
tocar meu cabelo
e não pode. 

quarta-feira, 15 de abril de 2020

segunda-feira, 23 de março de 2020

garganta




entre cataclismas
sonoros
ser voz de lança

tempo inteiro



Maíra,  2016