sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

água 1

mania de água viver de coração em coração é preciso um quase-infarto pra fazer caminho de dentro pelo sangue longe-perto pele-linha tempo-peito por favor algum silêncio sem ar rarefeito pro corpo remendado cuidar a sós do perigo de abrir-se livre de pedras, ânsias
refluxos anti-versos e mormaços por favor algum silêncio pro coração despencar pelas veias poros,
flechas e fazer do próprio corpo
festa sem remendar o tempo


(Maíra Guedes)





2016

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

LUA EM PEIXES


minha disposição ao delírio
corre auroras de rio,

hábito de água
do meu corpo imenso 
e púrpura,

afluente de desejos,
canoeira em aflição
de afogamento.


                             @mairateatro


sábado, 15 de setembro de 2018

I - Nascer


Meu corpo, fábrica de vento,
sob a luz de Tempo foi parido na beleza preta das mãos
de minha Mãe. Na imensidão da memória, navalha recosturando o fio comido
pela dominação. Das mãos de minha mãe escorrego para a cura ancestral, resguardo. Ato de guardar-se dentro, proteção do nascimento, silêncio de Orixá morando em mim ORIpotência a beleza preta das mãos de minha mãe Darabi.




Para Mãe Darabi (Alba Cristina Soares),
de sua filha Oyá Inuféfé (Maíra Guedes) outono de 2018.


ilustração: "Ori", de André Hora.

segunda-feira, 11 de junho de 2018











haja quero
pra tanto
queria

(27.07.2015)



Foto: Lourdes Almeida



sábado, 17 de março de 2018

diário de uma agitadora

Virá!
Do céu de nossa boca,
palavra popular em viração.

Acirra-se, é tempo...
Em cada brasa virar vento,
dos corações fazer fogueiras.

E tomar
em luta viva, brasileira, 
o Estado, terras, e mansões.


(Maíra, 17.03.2016/2021)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017





















peixes invertidos
vagabundeiam paradeiros,
rotinas
fabricam preces,
eu 
encruzilho casas.
de manhã
um café na porta dos umbrais
e algum choro massageia o rosto quente.
aliás, todo choro massageia o rosto quente.
água-viva 
queima,
lágrima-viva
queima mais. 





Maíra, janeiro de 2017
Fotografia de Flor Garduño

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

DEZEMBRO




Dezembro magma da encruzilhada.
Que caminho o olho viu de ouvir a pele? 
Retrospecto para abrir-se, coração.
O céu está em flecha. 






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